A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-3), em Três Lagoas, entrou oficialmente na fase de contratação de empresas para a conclusão da fábrica. Lançado em 2008 com o objetivo de reduzir a dependência externa de fertilizantes e fortalecer o agronegócio nacional, o projeto ficou paralisado por mais de uma década e agora volta ao planejamento estratégico da Petrobras.
Segundo a estatal, o empreendimento avança atualmente em duas frentes consideradas decisivas: a contratação dos pacotes de obras e a estruturação da garantia de suprimento energético. A aprovação final dos investimentos pelas instâncias internas competentes da companhia está prevista para o primeiro semestre de 2026. Essa etapa é apontada como fundamental para permitir a retomada física das obras ainda este ano.
Na prática, o projeto segue no planejamento corporativo, mas depende da autorização formal da diretoria executiva e do Conselho de Administração para a liberação definitiva dos recursos.
Licitações estruturadas em 11 pacotes
A fase de licitações avançou no fim do ano passado, com a abertura dos envelopes dos primeiros pacotes de obras. Ao todo, foram estruturados 11 processos licitatórios, com recebimento de propostas até dezembro.
A Petrobras optou por fracionar o empreendimento em diferentes lotes, modelo que amplia a participação de fornecedores, estimula a concorrência e busca reduzir custos. Entre os pacotes estão serviços de drenagem, pavimentação e RACI; construção de prédios administrativos, laboratórios e oficinas; seção LT 138 kV e subestação de entrada; interligações; sistemas de águas e efluentes; energia; unidades de amônia; estocagem; ureia melt e granulação; sistemas de expedição; além de manuseio e automação.
De acordo com a diretoria, o aumento do número de participantes por lote é considerado positivo para garantir maior segurança contratual e melhor controle de preços.
Cronograma prevê pré-operação em 2028
Embora o processo de contratação esteja em andamento, a retomada física das obras deve ocorrer apenas em 2027. A previsão inicial era concluir a contratação das empresas executoras ainda em 2025, mas o fechamento das concorrências tende a ocorrer no primeiro trimestre de 2026.
O cronograma atualizado posiciona a conclusão da UFN-3 para 2029. A estatal projeta o início da pré-partida operacional em 2028 — etapa que antecede o começo da produção comercial. Há possibilidade de antecipação da entrega para 2028, caso o ritmo das licitações e da futura execução mantenha regularidade, mas a companhia afirma adotar projeções prudentes para evitar novos atrasos.
Garantia de gás natural já prevista no planejamento
Quando entrar em operação, a UFN-3 deverá consumir cerca de 2,2 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. Segundo a Petrobras, essa demanda já está contemplada no Plano de Negócios 2026–2030 e integrada ao planejamento de oferta e demanda do insumo.
A companhia esclarece que a garantia estruturada de suprimento não está vinculada a fornecedores específicos. O projeto considera acesso à malha integrada nacional de transporte de gás natural, que reúne diversas fontes de suprimento — nacionais e importadas — e permite o atendimento às demandas do mercado brasileiro como um todo.
Após a entrada do gás na malha, não é possível associar um consumidor a uma origem determinada. Dessa forma, a UFN-3 não estará diretamente atrelada ao gás boliviano ou argentino, tema sensível diante da retração das importações da Bolívia e da maior integração com a Argentina.
A Petrobras ressalta ainda que o Plano de Negócios é revisado anualmente, considerando a evolução da oferta, da demanda e da capacidade de transporte. O fornecimento previsto para a unidade, segundo a empresa, será contínuo ao longo de todo o horizonte operacional projetado.
Investimentos previstos na LOA
Para este ano, a Petrobras pretende investir R$ 1,564 bilhão na retomada das obras da UFN-3 em Três Lagoas — quase metade do total estimado em R$ 3,5 bilhões para a conclusão da unidade. O valor consta da Lei Orçamentária Anual (LOA), já sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os recursos integram o Plano de Negócios da companhia, que destina US$ 15,8 bilhões ao segmento de refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes. Além da conclusão da unidade sul-mato-grossense, o plano prevê a continuidade das operações das Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia e de Sergipe (Fafen-BA e Fafen-SE) e da Araucária Nitrogenados S.A. (ANSA).
Com a retomada da UFN-3, a Petrobras busca reforçar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados, reduzir a dependência de importações e ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.


















