A indústria de Mato Grosso do Sul segue tendo na celulose seu principal motor de exportação, com destaque para a produção concentrada nos polos de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo. Mesmo diante de um cenário de retração, o setor mantém resultados historicamente elevados e consolida o Estado como referência nacional na produção do insumo.
Em março de 2026, a receita com a exportação de produtos industriais sul-mato-grossenses somou US$ 580 milhões, conforme levantamento do Observatório da Indústria da Fiems. O valor representa uma queda de 15% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o montante alcançou US$ 679,1 milhões.
Apesar da redução, o desempenho ainda é considerado expressivo. “Trata-se do segundo melhor resultado já registrado para um mês de março em toda a série histórica das exportações industriais de Mato Grosso do Sul”, destacou o economista-chefe da Fiems, Ezequiel Resende.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a receita totalizou US$ 1,75 bilhão, uma retração de 5% frente ao mesmo período de 2025, quando o valor chegou a US$ 1,84 bilhão. Ainda assim, o resultado também figura como o segundo melhor da série histórica para o período.
A relevância da indústria nas exportações estaduais permanece elevada. O setor respondeu por 53% da receita total em fevereiro e, no acumulado do ano, alcançou participação ainda mais significativa, chegando a 69%.
Celulose lidera com folga
O protagonismo absoluto é do segmento de celulose e papel, responsável por 40% das receitas de exportação entre janeiro e março. Grande parte desse desempenho está diretamente ligada às fábricas instaladas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, que concentram algumas das maiores plantas industriais do setor no mundo e garantem escala e competitividade internacional.
Nos três primeiros meses do ano, o grupo acumulou US$ 692,2 milhões em receita. O principal produto exportado foi a pasta química de madeira, que respondeu por 99,7% do total. A China lidera entre os destinos, absorvendo 52% das exportações, seguida por Itália, Turquia, Holanda e Estados Unidos.
Outros segmentos relevantes
Além da celulose, o complexo frigorífico também desempenha papel estratégico, com receita de US$ 644,1 milhões no trimestre. Os principais produtos são carnes bovinas desossadas, congeladas e refrigeradas, além de cortes de frango. China e Estados Unidos aparecem como principais mercados compradores.
Já o segmento de óleos vegetais e derivados somou US$ 170,5 milhões no período, com destaque para produtos ligados à cadeia da soja, como bagaços, óleo bruto e farelos. Índia, Holanda e Dinamarca lideram entre os destinos.
Juntos, os três segmentos — celulose e papel, complexo frigorífico e óleos vegetais — responderam por 87% de toda a receita de exportação industrial do Estado no primeiro trimestre de 2026.
Perspectiva
Mesmo com oscilações pontuais, os dados reforçam a solidez da base industrial de Mato Grosso do Sul, especialmente ancorada na cadeia da celulose. Com operações altamente tecnológicas e voltadas ao mercado externo, as fábricas de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo seguem como pilares do desempenho exportador e da inserção do Estado no comércio global.



















